Friday, October 09, 2009

Anticristo

Nunca havia assistido um filme de Lars Von Trier. Sempre que pensava em pegar Dogville, por exemplo, desistia. Por tudo o que dizem sobre ele, nunca me sentia “no clima” para ver um filme como ele. E o tempo passou, até a chegada de Anticristo. O título já me chamou atenção, tudo o que lia sobre também despertava mais interesse e curiosidade. Especialmente quando soube a reação que tiveram em Cannes. Assim, tão logo a película entrou em cartaz em Porto Alegre, fui conferir. Antes tivesse deixado passar batido.

Para quem não está familiarizado com a história, em Anticristo um casal formado por Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg perde o filho pequeno e a mulher entra em depressão. O marido, psiquiatra, passa a tratá-la, e os dois se dirigem a uma cabana em meio à floresta, em busca do “medo” dela. No local a depressão é substituída por instintos que vão do medo ao instinto assassino, passando por sadismo e psicose. Parece interessante, não? Pois só parece.

A tentativa de Lars Von Trier de fazer um “torture porn de arte” é até risível. Após o belo prólogo em câmera lenta e em tons de cinza, que mostra a morte do menino enquanto o casal transa, a coisa começa a desandar. E nem as ótimas atuações de Dafoe e Charlotte, unidos a bela fotografia, conseguem salvar Anticristo. Parece que o diretor tenta durante todo o filme causar incômodo aos expectadores, coisa que consegue, e também busca fazer um filme surpreendente. E nisso ele falha vergonhosamente.

A sequência de clichês de filmes de horror não para um segundo do meio para o fim da exibição. A floresta opressora, que lembra tanto Apocalypse Now quanto os dois primeiros filmes da trilogia Evil Dead, a cabana que lembra o Overlook Hotel – além de uma centena de casas mal-assombradas de outros filmes –, as cenas gore, que lembram tanto filmes bons de horror, quanto lixos como Jogos Mortais (que venham as pedras), até as ações dos personagens, tudo é muito óbvio. Vou dar apenas um exemplo: logo que os dois chegam à floresta, vemos uma toca de animal. No momento em que vi aquilo, eu sabia que: a) um deles se esconderia ali; b) o outro o encontraria. E isso acontece. É tudo de uma obviedade tão patética, que afunda com uma premissa que parecia interessante.

Saturday, August 22, 2009

Arraste-me Para o Inferno

Hoje, ao ouvir o nome Sam Raimi, muita gente logo pensa em Homem-Aranha. O que talvez muitos não lembrem é que lá no início de carreira Raimi foi responsável por dois dos maiores clássicos do horror dos anos 1980: A Morte do Demônio (The Evil Dead, 1981) e sua continuação, Uma Noite Alucinante (Evil Dead 2: Dead By Dawn, 1987). Pois Arraste-me Para o Inferno (Drag Me To Hell , 2009) é uma espécie de volta do diretor as suas raízes.

Em Arraste-me Para o Inferno Christine Brown (Alisson Lohman) é uma ambiciosa corretora de empréstimos, que está de olho em um cargo mais alto no banco onde trabalha. Para conseguir isso Christine nega uma prorrogação na hipoteca da casa de uma estranha e bizarra cigana, senhora Ganush (Lorna Raver). A partir daí a vida até então pacata de Christine ao lado do namorado, o professor Clay Dalton (Justin Long), se torna um verdadeiro inferno.

O roteiro de Arraste-me Para o Inferno não tem nada de novo. No entanto o trabalho feito por Sam Raimi e seu irmão Ivan Raimi ficou bastante interessante, e prende a atenção do espectador até o final, com uma narrativa ágil, que não deixa muito espaço para respirar. Os sustos, cenas gore e outras de humor são muito bem alternadas. Os movimentos de câmera, o uso das sombras e a trilha sonora ajudam muito na qualidade do filme.

Algumas das cenas farão os fãs mais antigos da Raimi se deliciarem, como o embate entre Christine e a senhora Ganush dentro de um carro, a cena do cemitério e a luta – infelizmente curta – de Christine contra um paninho. E fãs de desenhos animados também devem se divertir com nada mais, nada menos do que uma bigorna (sim, é isso que você está pensando).

O único porem no filme fica por conta dos efeitos digitais. Em alguns momentos eles poderiam muito bem ter sido substituídos por efeitos práticos, com resultados provavelmente muito melhores. Arraste-me Para o Inferno certamente não substituirá os clássicos do início de carreira de Sam Raimi, mas é um alívio em uma época em que coisas Jogos Mortais se tornaram referência em terror.

Saturday, August 01, 2009

Histórias de plantão

Hoje é dia de plantão no jornal. O que isso significa: trabalhar até meia-noite. Fora as eventuais pautas, o plantão tem outras duas responsabilidades: fazer a ronda de polícia e atender as ligações que entram ao longo da noite. E nessas ligações, muitas vezes, ocorrem coisas curiosas.

Existe um monte de pessoas por aí solitárias, e algumas delas, possivelmente por não terem absolutamente nada melhor para fazer, ligam para o jornal. Lá temos um caso já clássico, da dona Sílvia. Não sei se alguém da redação conhece essa senhora pessoalmente, mas quase todos já atenderam ligações dela.

Existem duas possibilidades para o caso dela: a) ela é uma mulher sozinha e bêbada; ou b) ela é uma mulher sozinha, bêbada e louca. Acredito na segunda opção, mesmo que isso seja maldade minha.

Bueno, certa vez estava eu em um plantão em plena segunda-feira, eram por volta de 23h30 e toca o telefone. Puxo a ligação e do outro lado da linha está dona Silvia, apreensiva. Ela começa a falar que está preocupada com uma pizzaria da cidade, próxima de onde ela mora, pois está tudo fechado no local.

Ela explica que seu temor é de que eles estejam sendo assaltados, e insiste que eu tenho que fazer alguma coisa. Então questiono se ela já havia ligado para a polícia, e é claro que a resposta é não. Entendam uma coisa sobre pessoas que ligam freqüentemente para jornais: elas acham que o jornalista é que tem que resolver os problemas, não as autoridades competentes.

Aí explico que ela tem que ligar para a polícia antes, e também tento tranquilizá-la, pois estabelecimentos que trabalham com tele entrega costumam não abrir em segundas-feiras à noite. Adianta? Claro que não. Ela insiste que já havia pedido pizza de lá em segundas-feiras, e tem certeza de que a tese do assalto é a correta. Argumento que a Delegacia de Polícia fica próximo ao local, o que deve inibir assaltantes, mas dona Sílvia ignora totalmente isso.

Após garantir que ligaria para a polícia, ela desliga o telefone, mas promete que em 15 minutos volta a entrar em contato. Dito e feito. Liguei para a polícia, expliquei a situação, o policial riu, desliguei o telefone, e ela ligou. Não adiantou dizer que a Brigada Militar verificaria o local, ela não acreditava.

Enquanto tentava me livrar do telefonema, outra pessoa que ainda estava na redação ligou para o porteiro de uma concessionária ao lado da pizzaria, que garantiu que o local realmente não abria em segundas. Falei isso para dona Sílvia, que relutantemente, aceitou a resposta e desligou o telefone. Já haviam se passado 10 minutos do fim do plantão.

Friday, July 31, 2009

Qual livro nacional você é?

Testezinho galera. Clique aqui e saiba qual livro nacional você é. Bem, agora falta eu ler o livro.

Resultado:

"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender. Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

Monday, July 20, 2009

Deixe Ela Entrar


Quando se pensa em um filme com vampiros, em geral se espera algo cheio de sangue e morte. Enfim, se espera um filme de horror. Raramente as pessoas que procuram esses filmes imaginam uma história bonita e singela. Pois Deixe Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In, Suécia, 2007) é, sobretudo, um filme belo.

Deixe Ela Entrar é a história de duas crianças de 12 anos, uma entrando na adolescência, a outra eternamente na porta dessa fase da vida. Oskar (Kåre Hedebrant) é um menino tímido, que sofre diariamente nas mãos de colegas e ensaia sozinho em seu quarto a vingança. O isolamento faz dele uma criança não muito normal, que coleciona artigos de jornais sobre assassinatos, e que brinca à noite sozinho no pátio gelado do prédio onde mora.

Em uma dessas noites, quando ameaça uma árvore com a faca, como se esta fosse seu desafeto da escola, ele conhece Eli (Lina Leandersson), que acabara de se mudar para o apartamento ao lado. A menina também é anti-social, vive trancada no apartamento que tem a janela vendada por papelão, e no primeiro encontro avisa o menino que não podem ser amigos. Mas noite após noite, os dois se encontram no pátio gélido, e a amizade é inevitável. Ao mesmo tempo, estranhos assassinatos acontecem na cidade.

A história é a clássica relação de um vampiro cansado da maldição que carrega, e que mesmo que tente evitar, acaba se envolvendo com um humano que não quer ferir. Ao mesmo tempo o humano deseja aquele poder, justamente por não saber o quão duro pode ser viver do sangue dos outros. Ao descobrir que Eli é uma vampira, Oskar não se afasta, alias, se aproxima mais.

É difícil definir Deixe Ela Entrar como um filme de horror, mas os elementos das histórias de vampiros estam nele. A atmosfera da Suécia gélida é bem apropriada, apesar do filme ter apenas um vampiro em boa parte dele. A menina só bebe sangue extraído de pessoas que seu pai (ainda humano) mata, mas quando ele falha ao buscar alimento para a filha, Eli não tem escolha senão atacar pessoas, mas o diretor Tomas Alfredson poupa os espectadores de closes dela sugando suas vítimas.

E é clara a opção por mostrar o lado humano de Eli, que só mata para se alimentar, ou para salvar o amigo. E em mostrar como Oskar muda com a influência da menina vampira. Deixe Ela Entrar é indicado para quem gosta de filmes de vampiros, e também para quem apenas aprecia filmes bons e belos.

Thursday, July 16, 2009

Mangue Negro


Honestidade no que se faz é algo extremamente relevante. E Mangue Negro, do diretor capixaba Rodrigo Aragão, tem isso de sobra. E provavelmente esse é um dos motivos que faz de seu primeiro longa um ótimo filme de horror. Isso, unido a história interessante, o cenário bastante propício para uma história de horror bem gore, a narrativa bem desenvolvida e, é claro, os zumbis.

Mangue Negro se passa em uma pequena comunidade onde pescadores e catadores de siri ainda tentam sobreviver, mesmo com a deterioração do local. Neste cenário apodrecido pelo homem em sua pouca preocupação em preservar o que lhe dá sustento, começam a surgir zumbis famintos por carne humana, e os poucos moradores, sem saber como agir, são devorados e transformados em mortos-vivos um após o outro.

Diante do caos instaurado, Luís (Walderrama dos Santos), um jovem amedrontado e apaixonado por Raquel (Kika de Oliveira), tenta sobreviver e salvar sua amada, recorrendo a ajuda de moradores antigos e sábios, e a habilidade com uma machadinha. A única saída, aparentemente, é fugir do manguezal, que seus moradores constantemente lembram que já está morto.

Mangue Negro une bem o gore, os sustos e humor ao longo de seus 105 minutos. A maquiagem, especialidade de Aragão, é um dos pontos mais positivos do filme. As cenas nojentas farão a alegria de fãs do gênero, e os bonecos animatrônicos são impagáveis. A maioria dos atores não é profissional, ou sequer havia atuado antes, mas conseguem cumprir bem seus papéis. Destaque para André Lobo como a divertida preta velha Dona Benedita.

Como é comum em filmes de zumbis depois que George Romero lançou Noite dos Mortos-Vivos em 1968, o filme também traz uma pitada de crítica social, no caso a deterioração da natureza graças à ação do ser humano. Mas em momento algum isso toma conta do filme ou busca levantar uma bandeira. De negativo, apenas a duração do filme. Talvez o ideal fosse cortar um pouco do final, que poderia ser um pouco mais objetivo. Claro, existem problemas devido aos parcos recursos, mas na raça e na criatividade isso é superado. Mas são detalhes quase insignificantes perante a qualidade de Mangue Negro. Aragão está de parabéns por ter feito um ótimo filme de zumbis que, ainda por cima, é bem brasileiro.

Tuesday, July 07, 2009

Ainda sobre Michael Jackson...

A morte de Michael Jackson causou alguns efeitos interessantes. Fora a óbvia avalanche de informações, fofocas, especulações, etc, muita gente, famosa ou não, foi ouvida sobre o astro. A maioria falou dele com palavras elogiosas.

Mas um fato interessante é que muita gente parece que descobriu que gostava muito do cara. Eu mesmo fui uma dessas pessoas. Sempre gostei bastante da música feita por ele nos anos 80, e esses sons também me remetem a infância. Mas a partir da morte dele, passei a quase que ignorar as bizarrices que tomaram conta da vida dele nos últimos 10 ou 15 anos.

Bueno, muitas homenagens foram feitas a ele também. Algumas óbvias, como da Madonna, amiga de Michael, outras nem tanto, como a do Metallica e de Steve Vai.

P.S.: Isso se ele realmente morreu. Vai que durante o funeral dezenas de zumbis começam a levantar das tumbas, até que o próprio Michael Jackson sai do caixão, cantando Thriller. Seria a maior jogada de marketing da história!

Friday, July 03, 2009

Eu peço desculpa

Eu sempre peço desculpas. Mesmo quando não estou errado, mesmo quando estou totalmente certo. É uma mania que não consigo perder, apesar do esforço. As vezes me desculpo antecipadamente, me justifico, e sempre em casos onde eu não tenho que fazer isso. É porque se tem algo na vida de que eu tenho medo – e tenho medo de poucas coisas, acreditem – é de chatear, magoar, ou deixar alguém com quem me importo “de mal” comigo.

É a minha fraqueza. Deve ser coisa de canceriano. Começo a falar algo que eu minimamente suspeito que pode causar algum sentimento de desconforto na pessoa, e começo a me justificar. E creio que na maioria das vezes percebem isso. E muita gente deve ficar puta da cara por eu fazer isso. Mas eu não consigo evitar. Adoraria poder dizer que eu não peço desculpa, e nem peço perdão. Quem sabe um dia.

Desculpem.

Thursday, June 25, 2009

Caso Elicarlos x Maxi López


Seria muito fácil eu me omitir sobre o caso Elicarlos x Maxi López, ocorrido na partida entre Grêmio e Cruzeiro pela semi-final da Libertadores. Afinal, raramente posto sobre futebol no blog. Mas vou comentar minhas primeiras impressões sobre isso, que ainda vai dar muito pano para manga.

Para quem não sabe, ao final da partida, Elicarlos, do Cruzeiro, acusou o argentino Maxi López, centroavante do Grêmio, de tê-lo chamado de “macaco”. O cruzeirense disse que isso teria ocorrido ainda no primeiro tempo, e que o jogador Wagner ouviu, por isso se formou uma pequena confusão em campo.

Bem, eu sou contra o racismo, não gosto quando torcedores gremistas chamam colorados de “macacos”, mesmo que isso hoje já tenha sido incorporado pelos próprios torcedores de lá. Sei que já se tornou algo comum e que não tem mais caráter racista, mas só o fato do termo ter surgido por isso, quando o Inter começou a aceitar jogadores negros, já é suficiente para eu não concordar que use a expressão.

Ao mesmo tempo, não sei o que pensar sobre o ocorrido ontem. Maxi pode ter mesmo feito isso? Pode. Ele é argentino e todos sabemos que eles tem a mania de chamar os brasileiros de “macaquitos”. Quem não se lembra do caso Grafite x Desábato? Além disso, jogadores de futebol trocam ofensas e provocações depreciativas durante uma partida, então pode ser que Maxi, em uma tentativa de desestabilizar Elicarlos, tenha usado de forma impensada o termo. Inclusive imagino o quanto Maxi deve ouvir durante as partidas, por ser casado com uma modelo, por ter cabelos compridos e por ter sido apelidado de “Lá Barbie”.

No entanto, o que temos são as palavras de dois jogadores do Cruzeiro, que tem o mesmo interesse em desestabilizar o Grêmio, contra a de um gremista, que nega o ocorrido. Não existem provas da ofensa, a menos que em alguma imagem da televisão seja possível ler os lábios de Maxi, o que nem sei se pode ser usado como prova. Além disso, se realmente ocorreu isso no primeiro tempo, por que Elicarlos esperou até ser substituído no fim do segundo tempo para denunciar para a polícia? Por que não procurou o árbitro na hora, ou no intervalo? Se ia denunciar para a polícia, por que não fez isso já no fim do primeiro tempo?

Não ponho minha mão no fogo por ninguém, mas Maxi López não tem esse perfil, além de nunca ter sido denunciado por isso antes. Ele tem companheiros de time negros, é marcado por jogadores negros, e nunca se ouviu que ele tenha tido alguma atitude racista. Mas pode ter acontecido, e é totalmente reprovável se ocorreu, mesmo que tenha sido apenas uma provocação de jogo. Mas é preciso apurar, não crucificar alguém sem boas provas antes.

Tuesday, June 23, 2009

Terminator Salvation

Poucos filmes conseguem unir ação e ficção científica com tanta qualidade quanto os dois primeiros da série Exterminador do Futuro (Terminator), de 1984 e 1991. Ambos não são cultuados a toa, pois por trás da matança, das perseguições, da viagem no tempo, etc, está uma história complexa e muito interessante. Portanto qualquer menção a continuações sempre são encaradas com um misto de expectativa e receio pelos fãs, incluso este que vos escreve. Principalmente depois do fraco Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (Terminator 3: Rise Of The Machines) de 2003.

Bem, quando anunciaram que o quarto capítulo cinematográfico da série seria dirigido por McG, o (ir)responsável por trás dos novos As Panteras, era difícil não esperar coisa ruim. Mas ao sair do cinema os fãs podem sair aliviados, pois Terminator Salvation (Exterminador do Futuro: A Salvação) é um bom filme de ação, e, mais importante, respeita os primeiros.

T4 se passa em 2018, quando as máquinas já arrasaram quase que por completo com a civilização, e restam apenas a Resistência e alguns outros humanos que lutam para sobreviver em um mundo pós-apocalíptico. John Connor (Christian Bale) descobre que pode haver uma forma de eliminar as máquinas de uma vez por todas, e parte para o coração da Skynet. E, mais do que isso, para salvar seu pai, Kyle Reese (Anton Yelchin), que ainda é um adolescente, da morte. Mas lá descobrem que à aniquilação total da humanidade pode estar próximo. Para chegar lá, Connor terá que aceitar a ajuda de algo inimaginável: Marcus Wright (Sam Worthington) um condenado à morte em 2003 que acorda em 2018 meio homem, meio máquina, e quer descobrir porque.

Os pontos positivos de T4 são muitos. Para começar, McG faz a ação do filme ser realmente interessante, sem entrar no frenético mundo dos filmes atuais, de picotar a imagem para que seja convincente e eletrizante. As homenagens aos filmes anteriores, em especial aos dois primeiros, são outro atrativo. Tem a aparição especial Arnold Schwarzenegger (mesmo que não seja ele mesmo), como surge no primeiro filme, frases clássicas como “I’ll be back”, e até You Could Be Mine, do Guns And Roses. As atuações também estão boas, em especial de Bale e Yelchin.

No entanto, T4 está longe dos primeiros filmes e pisa na bola em algumas questões. A história de Marcus está muito mal explicada e o par romântico formado por ele e por Blair (Moon Bloodgood) não funciona. O filme também não explica como Connor se tornou seguido tão cegamente, como o messias, pelos humanos ainda vivos. Sem contar que a linha temporal, que é bastante complexa – e algumas vezes até sem sentido – na série, não fica clara no filme. E viagem no tempo, que sempre teve nos filmes, praticamente não é citada em T4.

STF derruba obrigatoriedade do diploma para professor de Língua Portuguesa

Placar final do Pleno ficou em oito votos contra e um a favor do diploma

O Supremo Tribunal Federal (STF) acaba de derrubar a obrigatoriedade do diploma de professor de Língua Portuguesa para o exercício da profissão. Dos 11 ministros da casa, nove julgaram o Recurso Extraordinário 000171, que foi impetrado , em dezembro de 2006, pelo Sindicato das Empresas de Ensino Fundamental e Médio. Os ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito não participaram da sessão. O placar final do Pleno ficou em oito votos contra e um a favor do diploma.

O ministro e relator do caso, Gilmar Mendes, o primeiro a votar contra a obrigatoriedade do diploma, aconselhou as próprias instituições de ensino a estabelecer critérios para a contratação de professores. "Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima exigir que toda refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. O que não afasta a possibilidade do exercício antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores”, disse.

Para Carlos Ayres Britto, “não se pode fechar as portas dessa atividade, que em parte é literatura, em parte é arte, é muito mais do que ciência, muito mais do que técnica”. Para justificar seu voto, Celso de Mello alegou também que, se uma pessoa passou por todo o Ensino Fundamental e Ensino Médio, onde são trabalhadas as regras gramaticais e alfabeto, tem condições plenas de repassar esse conhecimento para crianças e adolescentes.

Votaram contra os ministros Gilmar Mendes, Carmem Lúcia, Ricardo Lewandowiski, Eros Graus, Carlos Ayres Britto, Cezar Pelluso, Ellen Gracie e Celso de Mello. O único voto a favor foi o do ministro Marco Aurélio. “Minha sina é divergir”, disse ele ao defender a exigência de diploma. E ainda chamou atenção aos prejuízos que a decisão causa à sociedade, já que muitos estudantes matricularam-se em faculdades de Letras baseados na lei vigente. “A atividade repercute na vida das pessoas. Professor deve ter técnica para ensinar, pesquisar.”

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Bem, a notícia acima, como todos sabem, é fictícia, e apenas foi utilizada a base das matérias publicadas em sites no dia 17 de junho de 2009, quando o STF derrubou a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo. Afinal, ninguém levaria a sério a ideia de permitir que pessoas sem formação superior poderiam lecionar.

Uma faculdade de Letras não é feita apenas do ensino sobre regras, gramática, alfabeto, etc. Não, o currículo engloba uma série de disciplinas que agregam conhecimento de didática, sociologia, práticas de ensino, cultura, inclusão, políticas educacionais, ética, entre outras. Tudo isso faz parte da formação de um professor qualificado para ensinar não apenas ensinar as pessoas a ler e escrever, mas a se tornarem cidadãos. E quem deixaria seu filho nas mãos de um professor sem formação superior?

Pois para o Jornalismo brasileiro, isso não é mais necessário desde o dia 17 de junho de 2009. E, apesar das diversas manifestações contrárias a esta decisão, também existem pessoas a favor do veredicto do STF. Parece que muitos acreditam que uma faculdade de Jornalismo forma apenas pessoas que sabem escrever, ou que são desinibidas diante de uma câmera, ou que falam bem em uma rádio. Parece que muitos acreditam que para ser um bom Jornalista basta saber perguntar “Por quê? Quando? Quem? Onde? Como? e O que?”. E realmente, não é preciso sentar em um banco de universidade durante 4, 5, 7 ou 10 anos, para aprender isso.

No entanto um curso de comunicação é muito mais do que isso. É um espaço para reflexão, para debate, para discussões sobre a prática profissional. É um local privilegiado para isso, onde se convive com pessoas que já estiveram dentro de empresas jornalísticas e que levam suas experiências aos estudantes. Um espaço onde anos de pesquisas teóricas, e também práticas, são apresentados aos alunos que lá estão, e que não só apreendem isso, como discutem e também questionam.

Não são formados apenas técnicos em faculdades de Jornalismo, são formados cidadãos críticos, questionadores e com bagagem cultural. Mas, infelizmente, no Brasil, um país onde sempre se bate na tecla de que o acesso a educação e a cultura deveria ser ampliado – inclusive empresas de comunicação exigem dos governantes políticas publicas eficazes para garantir qualidade de ensino e acesso para todos – os Jornalistas não precisam mais disso. Basta ser alfabetizado e saber escrever. Pensar ficou em segundo plano.